Prémio Manuel Gomes Guerreiro

Prémio Manuel Gomes Guerreiro

A Universidade do Algarve, com o patrocínio da Câmara Municipal de Faro e da Câmara Municipal de Loulé, deu a conhecer, no dia 24 de janeiro, o “Prémio Professor Manuel Gomes Guerreiro”. O Reitor da UAlg, Paulo Águas, lembrou que “as instituições têm que ter memória para ter futuro”, recordando o ilustre professor e investigador, primeiro Reitor da Universidade do Algarve, na comemoração do centenário do seu nascimento.

O “Prémio Professor Manuel Gomes Guerreiro” tem um valor pecuniário de 10 mil euros e é atribuído anualmente. As candidaturas deverão ser remetidas até 31 de maio de cada ano.

O Prémio destina-se a galardoar uma obra publicada, livro ou tese de doutoramento, que contribua para o desenvolvimento científico numa das áreas de conhecimento da Universidade do Algarve. Ao concurso serão admitidos todos os autores de qualquer nacionalidade, procurando-se particularmente estimular os jovens investigadores.

As obras concorrentes terão que ser obrigatoriamente entregues em idioma português, podendo no caso de teses de doutoramento aceitar-se dissertações em língua inglesa defendidas em universidades portuguesas. Cada candidato só poderá concorrer numa área científica.

Questionado sobre como surgiu a ideia deste prémio, Paulo Águas, reitor da UAlg, referiu que “o professor Manuel Gomes Guerreiro é uma figura que marcou a Universidade, que faz parte da sua história e que merece ser lembrado por toda a Instituição, sendo que muitos de nós não tivemos oportunidade de conviver com ele”. Paulo Águas afirmou que vê com “muito bons olhos” a parceria com os Municípios de Faro e Loulé, porque “a Universidade nunca esteve, não está, nem nunca estará isolada da região, e, por uma questão de proximidade, ao nos termos associado a estes concelhos, não estamos a excluir nenhum outro concelho do Algarve.”

Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, entende que esta parceria faz todo o sentido, “não só pela figura que foi Manuel Gomes Guerreiro e porque a região lhe deve muito, mas também pelo facto de Faro ser uma cidade universitária”. O edil farense recordou ainda “a dimensão humanista, ambientalista e de grande homem”.

Vitor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, lembrou as origens do primeiro reitor da UAlg, que era natural de Querença, concelho de Loulé, a quem, na sua opinião, “se deve tanto por ter conseguido a fundação da Universidade do Algarve”. Mas, segundo o autarca, existem muitas outras razões para se associar a este prémio. “O Município de Loulé quer ligar-se, cada vez mais, à Universidade, porque reconhece que não faz sentido não fazer parte de uma dinâmica que só a Universidade tem capacidade de criar no interesse da região”, reconhece Vitor Aleixo. “Loulé quer aproximar-se da Universidade, quer ser um parceiro, quer participar em projetos, e acho natural que todas as outras cidades do Algarve também o façam para alavancar o potencial cientifico que esta Universidade tem”.

Tributo prestado a Manuel Gomes Guerreiro

Um dos pontos altos da cerimónia foi o tributo prestado a Manuel Gomes Guerreiro. Foram muitos os amigos e conhecidos que se juntaram à homenagem.

Raul Sardinha, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia, evocou a memória do amigo Manuel Gomes Guerreiro, citando uma célebre frase: “os amigos verdadeiros nunca deviam desaparecer”. Descreveu os tempos e a vivência permanente em Nova Lisboa, atual Huambo, em Angola. “Devo-lhe a minha profunda gratidão e a ética de ser professor, devo-lhe o exemplo vivo da sua humildade e aprendizagem permanente”, revelou. Raul Sardinha referiu ainda que apesar desta vivência diversificada, a criação da Universidade do Algarve “foi um sonho no qual pôs todo o seu empenho”.

Visivelmente emocionado, João Guerreiro, antigo reitor da UAlg e filho de Manuel Gomes Guerreiro, agradeceu à Academia algarvia e às Câmaras de Faro e Loulé pela criação do prémio, recordando o pai com um “nómada científico”. Lembrou que Manuel Gomes Guerreiro nasceu em Querença e trabalhou em sítios tão diferentes e distantes como Angola, Moçambique, Alcobaça e Lisboa, o que lhe deu uma enorme bagagem cultural e científica. «Eu e a minha irmã beneficiámos do facto de o meu pai ser um homem do mundo, com uma vida profissional rica», recordou.

A sessão foi encerrada por Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento. Contudo, o representante do Governo falou enquanto amigo do homenageado. “Sou um homem grato por estar nesta homenagem que é, para mim, como uma espécie de viagem ao longo dos textos que escreveu e do seu pensamento consistente e de uma beleza simples”, referiu. Mas, Miguel Freitas confidenciou que o momento também o fez regressar “à intimidade das memórias, onde guardo os muitos serões que com ele partilhei”. O secretário de estado garantiu ainda que o primeiro reitor da Universidade do Algarve contribuiu para “gostasse ainda mais da sua profissão”. 

Brevemente serão divulgadas mais informações sobre as candidaturas a este prémio.

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